lundi, juin 30, 2008

Só o tempo de juntar os arquivos para ler daqui a trinta anos e apago.

Esse blog acabou.

mercredi, mai 14, 2008

Contagioso

Estou gripado.

Não, não, isso não é normal. Eu não fico doente, é simples assim. Os genes, minha conta bancária no LIS, o péssimo ótimo estilo de vida, alguma dessas coisas sempre afasta os bichinhos mas dessa vez me pegou de surpresa tipo assim .

E minha gripe é metida, a feladapouta. Não espirra e dói os dentes, fico tossindo e os catarros não saem e vão se acomodando e invadindo os reconcavos improdutivos das minhas bochechas, nariz e olhos. Dá nevralgia e me coçam os nervos do lado esquerdo do rosto, ensaio para o derrame de quando tiver 70. faço chá com limão cincoepouco nesse frio escandinavo e corro para a faculdade para ver os motherfuckin' intercambistas das europas de bermuda e camiseta todos inteiros e dispostos e saudáveis - rá se não vou passar minha doença subtropical, adivinha adivinha, lembrancinha de pindorama.

Preciso arrumar um trabalho. Minha conta tá magrinha, coitada, ó-ela-jogada-ali-no-canto e passei da idade de pedir (mais) dinheiro para o pai. Ok, preciso arrumar um estágio que me ensine a comprar e vender opções e contratos futuros e ganhar dinheiros nos mercados financeiros mundo afora. Fico imaginando a mesma situação se há três anos atrás tivesse me inscrito em outro vestibular, jornalismo, ciências sociais ou qualquer coisa dessas de comunista de cachecol e barba, se seria foda bagarái de encontrar pessoas afins de me pagar reais pela minha mão-de-obra terceiro-mundista. Tenho sérios problemas de relacionamento com a Fundação mas as pessoas tem esse estranho gosto de nos pagar reais e doláres e opções de compra e afins depois de formados e isso é bom e torna tudo mais colorido e feliz no 432 da Itapeva. Dicotomia feladapouta essa de grana x prazer-tempo-livre-coisa-do-tipo, pelo menos até três quatro meses atrás quando tomei a decisão de trabalhar doze, treze horas por dia e ganhar bônus' fucking amazing no fim do ano. Sabe como é, preciso juntar para a aposentadoria em Faroe ou Reikjavik e com uma coca-cola a sete dólares por lá, preciso juntar um monton de cifrões. No meio tempo vou deixando na fila de pendências do jornalista-sociólogo-rockstar frustrado o resto do Bukowski, Nick Hornby, Foucault e mais dúzias de gentes boas de caneta, aprender guitarra, terminar o francês, jogar rugby, ir nos jogos do Timão, arrumar uma namorada mais metida a sabe-tudo que yo para eu aprender a deixar de ser chato e mais uma caralhada de coisas. Agora dá licença que vou ali calcular uns derivativos e já volto.
.
.
Mas só depois que a gripe passar.

-------------------------------------------------------------------

Yep, fazem quatro meses que não escrevo. Falta disciplina, cojones, tempo, talento, umas par de coisa como dizem os amigos de Pres. Prudente. Mas falta também dor, muita dor, que é fácil fácil escrever doendo as entranhas. As coisas andam boas, comportadas, as coisas, são boas meninas essas coisas todas.

-------------------------------------------------------------------



soco.no.estômago

Dica do amigo mais musicalmente encicoplédico que alguém pode ter, aposto quantas caixas de cerveja quiser.

mardi, janvier 22, 2008

Percepção

Cara, lendo agora eu escrevo cada coisa constrangedora...

mercredi, janvier 09, 2008

Tem dois posts vagabundos e mal-escritos de ano novo, primeiro que precisava sumarizar a loucura que foi tudo isso e segundo que dois posts porque esse ano foram na verdade dois anos, encolhidos e esmagados e apertados em um só, ambos de zeitgeists bem diferentes para mim cá no meu mundo.

Vou tentar voltar a escrever. E a ir para a academia. E a estudar francês. Ou melhor, espanhol, que é bem mais útil e menos coisa de fresco.

Que sabe, sai ano paradisíaco entra ano infernal, ainda que um pouco menos megalomaníaco e menininho e um pouco mais legal, eu continuo o mesmo corintiano, zona-lestino e calabrês que você conheceu naquele dia de uns anos atrás.

2007, o ano com defeito

Meu 2007 veio pela metade, segundo o gnomo que coabita por aqui devido a algum problema de alfândega e blá e que o melhor era eu me conformar nem enviar o formulário de reclamação.

Começou em Julho. Voltei para a faculdade depois dos dois semestres mais ridículos que alguém já ousou cursar na Gloriosa Escolinha da Nove de Julho e deu certo. Mas assim, certo certo mesmo, de precisar de um nas provas finais mais difíceis e de poder ir fazer exame final pós-dancinhas e menininhas e noite acordado sem o já tradicional, clássico e patenteado nos dois semestres anteriores "putaqueopariu, tô ferrado, tô ferrado, tô ferrado".

Teve também as menininhas sem a necessidade incontornável da horrível comparação "pow, ela parece com a fulana nisso, nisso e nisso", mas delas nenhuma como essa outra garota aí. A garota das circunstâncias mais inconvenientes e impossíveis. Que me balançou, aquela do meu descontrole hormonal. A garota que esquece o "documento com foto do casal por favor" e me deixa maluco tipo moça-larga-de-ser-chata-e-deixa-logo-a-gente-entrar! A garotinha mais enigmática do hemisfério, o nome dela é nostalgia e para essas coisas a gente nunca sabe direito o que fazer. Que ainda tem um monte de coisa para acontecer. Ou não.

E, no finzinho, comecei a trabalhar e ganhar dinheirinhos e pensar que, ó, até que meu estágio paga bem, é legal e não tem nada a ver com esse negócio passa-fax-tira-xerox arquetípica da coisa. E me fez pensar com muito mais firmeza como sempre pensava depois de horas de revolta com as porras das microeconomias, dos professores insuportáveis, das muitas pessoinhas na pior significado possível do inha da palavra, que, no fim, vale a pena agarrar a Fundação com todos os dentes e dedos e patas para poder pagar as viagens, meus livros e os clubinhos rock'n roll inflacionados dessa cidade. E nisso não tem nada de "trabalho dignifica o homem" que essa é a maior besteira de senhor-de-engenho para escravo que já se ouviu. É tudo puramente funcional, ó.

E foi isso. Só isso.

Só isso, ok, sem graça, sem reviravoltas, sem viagens a planos astrais distintos e nem cover de Sid Vicious a 150km/h batendo no teto do carro. E, por Thor, Alá, Buda, Krishna, Javé, todos esses caras, só quem já quis abrir a própria cabeça para arrancar com uma retroescavadeira tanto stress e ansiedade sabe como um pouco de tranquilidade, monotonia e 8 horas de sono sem ressaca no dia seguinte podem ser bons.
Melhor que lasanha, ó.

2006, o ano que não acabou.


Bom, poderia começar fazendo o carinha bem-humorado mais manjado ever tipo "ano novo sempre tem essas listinhas e lá vai a minha e blá" mas fica por conta de vocês. Straight to the point.

2007 foi um abacaxi, um nabo, um qualquer outro objeto-fálico-grosso símbolo de "cara, esse ano foi foda...". Mas 2007 não foi 2007, não para mim. 2007, mais especificamente o 1º semestre inteiro edição sem cortes, foi só uma cópia mais sangrenta e cheia de efeitos especiais de 2006, uma versão "2, o Retorno".

O problema foi a tal viagenzinha ao inferno e conhecer os nove círculos e guias turísticos chifrudos com seus souvenires bacanas e as baladas mais doidas de sempre, tudo por conta de uma fuckin'-damn-girl aí que, táquipariu, não sabia que vocês mulheres tinham esse poder. E dá-lhe sair terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, gastar tudo em veneninhos, vir para casa dirigindo e acordar sem lembrar como chegou. Dá-lhe rock'n roll carnival, os melhores textos de todos os tempos, os "trinta anos em três" (meses, mas queria usar a música, rá) e compreender um monte de coisa que tinha perdido do tipo porque vidros filmados são tão importantes para atacar menininhas, porque pinga mineira douradinha e pura quase sempre não é uma boa idéia principalmente numa saída com alguma nova-garota-dos-teus-sonhos e porque São Paulo é uma grande bosta mas simultânea e clichêzaneamente é das coisas mais legais que já inventaram.

Dessas coisas, das que valem a pena guardar - e aí vai o trecho mais mela-cueca do meu blog em todos os tempos - descobrir principalmente que a gente nunca supera de verdade uma perda. A gente fica mais ou menos bem, guarda lembranças boas e segue a vida até porque não tem outro jeito, mas esse negócio de superar, isso não existe. É assim que acontece, como morte na família, mulher-da-tua-vida que de repente não é mais, ex-amigo de nariz quebrado depois de uma discussão de quem bebeu demais. A gente só segue em frente, vai levando e nem lembra direito do assunto no dia a dia mas é sempre um esforço inconsciente descomunal para guardar tudo lá no fundo do peito e não atrapalhar nossa capacidade de ganhar dinheiro e fingir que somos fortes e orgulhosos e bonitos e que estamos de pé sempre. Acontece que nós não estamos. Estamos sempre de joelhos lá dentro, guardando a porcaria toda bem guardada até tudo vir à tona em noites de insônia, fotos antigas e mimimi.

E aí eu me mudei. Fui morar perto da faculdade, sozinho, para facilitar a rotina e, claro, gastar menos tempo entre o banho e a porta da casa dos amigos e dos bares e hellzinhos de minha preferência. E aí, do nada, eu voltei a conseguir dormir e acordar sem taquicardia, sem pensamentos estúpidos e sem as drogas dos guias oferecendo os tais souvenires e dizendo sem parar "fica mais um pouco, não vai embora nãããão" com aquele maldito sotaque pernambucano - todos os guias do inferno são cópias idênticas do menino do cajueiro. Consegui até ficar em casa numa sexta-feira e assistir TV e filminho sem pensar bobagem, ó.

Isso aí foi em Julho. Não estourei champagne até porque não tinha grana para isso, mas comemorei como um preso cuja absolvição da condenação injusta chega na hora em que a bunda já está aconchegada e confortabilíssima, na opinião da bunda, acostumada com a cama de pedra da prisão, na almofada preta da cadeira elétrica. Comemorei sim, que aquilo ali foi meu reveillon 2006, o maldito ano que não acabou.

dimanche, décembre 02, 2007

Textículos moderninhos 2 (sem trocadilho infâme, hum)

Ó, esqueçam o post anterior e leiam uns textos antigos que são muuuuuito mais legais:

"Consumação", "Constantino, o Grande", "London Calling" e "Vendetta". São textos recentes-mas-nem-tanto que são muito mais legais que minha previsão fracassada sobre o jogo do Timão, ó.

Faz de conta que não aconteceu.
É, parece que ando mal de previsão.

O Jogo do Século



(imagem da invasão de 76, quando 70mil corintianos lotaram o Maracanã e fizeram o Timão derrotar o Fluminense pelas semi-finais do Brasileiro daquele ano, como que jogando "em casa" com a equipe carioca de visitante, em pleno Rio de Janeiro)


----------------------------------------------------------------------------------

Vai ser assim:

46' do 2º tempo, Góias vencendo por improváveis 2 x 0 após o Inter, movido por um rancor não-superado resultante da derrota no Brasileirão 2005, passar o jogo todo fingindo que não está entregando a partida para prejudicar o time do Parque São Jorge.


Enquanto isso, em uma Porto Alegre fria e coberta de nuvens, no Estádio Olímpico de tantas decisões, a modesta mas esforçada equipe corintiana sustenta penosamente um empate sob intensa pressão do ataque gremista quando Fábio Ferreira tira uma bola em cima da linha que, por um golpe de sorte, vai parar nos pés de Moradei.


Moradei avança, procura desesperadamente um companheiro e passa a bola para o garoto Lulinha que, vislumbrando a glória eterna parte sozinho para cima da defesa gaúcha e bate para o gol ganhando o escanteio.


Já são 47'30'', apenas mais meio minuto de acréscimo e Éverton Ribeiro levanta a bola na área onde até o goleiro Felipe tenta um último lance de sorte e Zelão, o criticadíssimo Zelão, seguindo a tradição de Tupãzinho de heróis inimagináveis do Timão, sobe até as nuvens e mete a testa com força na bola, que bate no travessão, nas costas do goleiro e segue caprichosamente gol adentro...

.

.

.

Para alívio dos mais de 30 milhões de corintianos fanáticos Brasil afora, o Corinthians, "o campeão dos campeões", "o clube mais brasileiro", vence o Grêmio por um a zero.


E o Timão está salvo. Salvo do jeito que sempre foi, que sempre deve ser, suado, sofrido e com o herói mais improvável de todos.


É assim que vai ser.


----------------------------------------------------------------------------------

Se futebol é o ópio do povo, destila a heroína e me dá uma seringa que eu tô pronto para injetar.

Corinthians e Grêmio, daqui a dez horas e treze minutos, lá no Olímpico.

É hoje que eu morro do coração.

lundi, novembre 19, 2007

Economíadas (ou de como destruir um universitário em quatro dias)

Quarta-feira pós-contratação - yep, sou um estagiário com um salário razoável e plano odontológico agora - quarta-feira pós-ciência política com Kurt Eberhart Von Mettenheim, o professor com o nome mais cool da história, quarta-feira pós-the biggest brawl ever que não quero comentar, fomos toda a trupe, debaixo de chuva e escuridão e em cima de pneus gastos e um carro enferrujado rumo a Taubaté e às Economíadas que não fui no ano passado de namorada e grana curta.

Euforia. Coletiva.

Olha, sou um cara chato com essas coisas. Gosto de discrição, conversa baixa, meia-luz, musiquinha e tal ou também de rock'n roll from hell com dancinhas e luz piscando mas não sou das baladas ditas "comuns", tocando fm-music e garotas de maquiagem derretendo de calor. Agora, M E O D E O S, Taubaté tremeu.

As Economíadas são, de forma bem simples e direta, um dos maiores eventos universitários do país, do continente, quiçá do mundo, consistindo em dias de jogos de diversos esportes que servem de justificativa para o evento e para as festas mata-fígado, tudo contando com a presença das maiores faculdades de Economia, Administração e Contabilidade da cidade de São Paulo, que consistem basicamente na gloriosa escola da Av. Nove de Julho e suas subordinadas.

Isto posto, juro, fazia tempos que não tinha momentos tão malucos e dois pneus furados, aviãozinho e banho de cerveja na tenda e queixo caído com a menina das coxas de granito. Perdi uma roda de Palio, cinquenta reais, algumas roupas e milhões de células hepáticas, mas vá lá, preço justo bagarái a se pagar.

Demais ver os intercambistas da GV pulando e fixando a idéia de que não há lugar melhor que esse lugar, demais ver euforia.coletiva ao som de qualquer coisa com mais de 80bpm, demais tomar e dar banhos de cerveja e ver os amigos e chegar nas garotas que quarta-feira pós-feriado vão te olhar na cara e fazer você ficar sem graça. Demais até aguentar chatices insistentes de uns e outros para dizer "ok, fulano, ok, chega. cerveja." Ter um caminhão de cerveja para desligar o cérebro e todas essas coisas que me fazem achar que sou o máximo, 170km/h na Via Dutra dentro de um popular um.ponto.zero prestes a desmontar pela pressão, conhecer as pessoas de verdade. É, that's worth something. E claro, táquipariu, a garota das coxas de granito - que Alá, Krishna, Buda, Javé e todos esses aí abençoem o balé.

"GV maravilhosa, cheia de encantos mil..."

lundi, octobre 29, 2007

TIM Festival


Cheguei com Hot Chip tocando. Dancinha tímida, cerveja, dancinha tímida, cerveja, dancinha, cerveja, dancinha ridícula, tudo nessa ordem. Nerd-chic até na letra "we tryyyyy, but we don't belooooong!" e bem legal de trilha sonora enquanto eu tentava não me apaixonar por aquela garota ali no meio, "ali, de cabelo assim assim, não tá vendo?".

Julliette and the Licks. Cara, a mulher é um fenômeno. Sério, tem energia, explosão e compensa a música mais ou menos com a performance não-sou-só-uma-atriz-metida-a-rockstar. É boa de palco e pula e deita no chão e se joga e veste um macacão que deixa ela feia e estranha mas ainda assim sexy, apaixonante e vem cá que tu vai ver se eu te pego. Surpreendente.

Bjork. Porra, o que dizer, é a Bjork entrando vestida de kabuki-inuit-far east-com flores-from-your-dreams ou algo nessa linha. É a Bjork falando "obrigado" como uma voz de menina e dando vontade de pular e roubar ela e levar para casa para esconder no armário. É a Bjork me deixando em catarse total, com as coisas passando devagar e feeling high na experiência musical turbinada mais profunda de sempre. É a Bjork e um monte de islandeses com bandeirolas. É a Bjork de "Hunter" e de "Earth Intruders", a transcedental e a raver. É a Bjork, e só isso já está bom demais.

Arctic Monkeys com potência e explosão mas eu longe do palco, como que vendo pela tv. Fizeram tudo direitinho, pularam, agitaram e blá mas eu longe, longe da galera e da zorra necessária num show agitado e pancada como foi. Poderia ter sido melhor, não a banda mas eu mesmo.

E Killers, bem, não vi. Sono, muito sono e dormir no carro que ainda vou dirigir e que se dane. Me arrependi sete de zero a dez.

Foi bom, foi bem bom, ó.

"NOSSA, VELHO! OS SERES DO ESPAÇO!"

Nota Mental

Escrever algo sobre TIM Festival com catarse bjorkiana, nossa-velho-os-seres-do-espaço, arctic monkeys lá longe, "the killers é o carái que vou dormir no carro", julliette surpreendente lewis, hot chip e as dancinhas e "hey, mate, I've heard they brought fuckin' arctic bananas with them, you know".

Porque foi bom bagarái.

vendredi, octobre 26, 2007

"Meeeeeo, a balada tá bombaaaaaando" (sotaque paulistano up)


Cervejada da GV hoje.
.
.
.
Que ando precisando em tempos de Mostra Internacional de Cinema, TIM Festival e afins. Nem eu me aguento mais de tão pseudo-cult.

vendredi, octobre 12, 2007

De como administrar relações

Antes me incomodava.

Me deixava bravo, me sentia ultrajado, ignorado, feito um velho abandonado, impotente, renegado a segundo plano. Achava que era provocação, só podia ser, como assim "manter contato" com a família? Certas coisas da modernidade passaram sem deixar influência alguma nessa cabecinha, como essas coisas de terminamos-mas-continuamos-super-amigos. Yo no, terminei e continuei-super-puto, querendo morrer durante uns bons vários meses de inferno particular até me mudar para a mansão mal-assombrada e ver que os fantasminhas não são tão ruins quanto geralmente se pensa. E tenho a tendência primitiva, uma coisa meio de clã, de "tribalizar" essas coisas. Família é minha, ow.

Aí, um belo dia, nossa-que-saudades-de-vocês-vamos-marcar-um-jantar-interrogação, daquele jeito meio "passo depois na sua casa" mas sabe quem fala e quem ouve que o "passo depois" provavelmente nunca vai acontecer. Ainda assim, costumava me deixar puto, revoltado.

Agora só dá dó.

Yep, acho que vou casar assim, escolher a mulher x, a família gente fina da mulher y e os amigos mais legais da mulher z. Pensando bem, é genial.

Garçom, um chá de desapego para a garota ali do canto, por favor.

vendredi, juillet 27, 2007

Vendetta


10:00PM. Banho de leite e pétalas de rosa, como nos comerciais. Cinta-liga vermelha, bem clichê. Calça justa - "hum, normal demais" - e tira e põe, vestido curto, decote até o umbigo, revelando quase completamente o seios mais-que-perfeitos e pagos à vista e em espécie, claro, com o dinheiro do marido especulador e viajante e no-time-to-lose nem para fazê-la sentir qualquer coisa que não uma monumental indiferença cultivada em anos de extremo sucesso financeiro e retumbante fracasso humano. Duas gotas de Channel nº5 a là Marylin Monroe, que não conseguia evitar mais esse e todos os outros clichês com sua alma esvaziada de fúria criativa pelos dias mais que intermináveis desperdiçados no casarão do condomínio mais caro da-cidade-do-estado-do-país. baton rouge, cabelos ondulados e brilhantes, brilhantemente dispostos em cascata sobre os ombros cansados do tédio de uma vidinha longe do sonho posto de lado de correspondente internacional e viajar o mundo cobrindo guerras, desastres ou, como dizia preferir, "momentos sublimes da experiência humana".


Uma dose de Laphroaig 30 anos "with a drop of water to enhance the flavor", trazido de uma viagem à Escócia com o marido que a fez sentir-se adolescente e novamente apaixonada pelo garoto inquieto, poeta e roquenrol que um dia conhecera, mas só até ele ter de pegar o avião de volta devido a "emergências profissionais". Sem gelo e sem pudor, para ferver o sangue.

Liga o carro e sai.

Chegou ao local, escolhido a dedo. Outra cidade, para não correr o risco de encontrar os amigos ricos do marido em busca de prazer extra-conjugal.

Luzes e luzes e as luzes inebriantes, tanto quanto a segunda e a terceira dose, dessa vez de um uísque vagabundo qualquer. Desconhecida, anônima, dançando, toda puta e gloriosa. Homens de todos os pesos, alturas, cores e jeitos, desejando comprar seu amor para exorcizar uns demônios internos ou simplesmente foder, assim, sem compromisso. Sensação de poder, estranha, inédita para seu espírito castrado de dona-de-casa-exemplar.

Mas falta coragem e sobra amor. Falta coragem para concretizar a fantasia, concluir a vingança de matar sua pureza, matar aquele idiota que insistia em não sair do seu coração, carne, entranhas todas. Falta coragem para pegar o primeiro executivo frustrado, gordo, careca e cheio de safenas e se oferecer em troca de uns trocados mas acima de tudo em troca da obliteração do seu amor, em troca das porradas no estômago para acabar com a ansiedade e o frio que se espalha e gela até as bochechas quando pensa no desgraçado.

Pega as coisas e vai embora, desapontada consigo mesma.

Tenta se lembrar de alguma outra vingança entre as tantas planejadas e esquecidas. Se recorda vagamente de algo envolvendo cordas e armas de fogo mas deixa pra lá. No tiene la furia, el odio, la pasión.

Chega em casa, tira a roupa, toma um banho e deita. Logo o dito cujo deve chegar, cansado demais, como sempre, mas esperando todo o carinho e compreensão do mundo. Era honesto, o coitado, apenas trabalhava demais, e era função dela fazê-lo esquecer...

lundi, juillet 23, 2007


Quero me aposentar nas Ilhas Faroe.
.
.
.
Até encher o saco de tédio.

dimanche, juillet 22, 2007

Eu sei ser discreto e respeitoso quando quero.
.
.
.
Só quando quero.

E também tenho um timing ridículo. Não se surpreenda.

jeudi, juillet 19, 2007

Paris, Je T'Aime


21 diretores e uma proposta: fazer pequenos curtas (pleonasmo?) de cerca de cinco minutos sobre Paris. Assim se constrói "Paris, Je T'Aime", uma homenagem à capital francesa mas, mais do que isso, ao amor em suas mais variadas manifestações. São 18 trechos - três deles dirigidos por duplas, incluindo "Loin du 16eme", dos brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas - divididos por bairros, os tais "arrondisements", que contam diversas histórias sobre o amor em suas muitas formas.


Uma mãe de luto pela morte do filho é conduzida por um cowboy de volta à sua vida normal. Uma paramédica se apaixona por um paciente em estado terminal. Um marido cuja esposa leucêmica o faz "de tanto se comportar como um apaixonado se apaixonar novamente". Uma mãe imigrante que deixa seu filho recém-nascido em uma creche para ir ao trabalho cuidar do bebê de uma família rica - este, o episódio dirigido por Salles e Daniela Thomas.


Pela própria estrutura da obra o filme sofre de altos e baixos, variando entre pontos elevados como o trecho dirigido por Gus Van Sant e seu conto de amor homossexual e espiritualidade em "Le Marais" até pontos não tão impressionantes como "Quartier des Enfants Rouges" e sua história morna sobre uma atriz americana drogada para aguentar uma noite de festa e filmagens e apaixonada(inha) pelo seu fornecedor. Um filme de picos e vales, como o amor que se propõe a retratar, mas que mantém um alto nível na maior parte do tempo.


Com uma coleção de bons nomes como Gerard Depardieu, Gus Van Sant, Alfonso Cuaron, o próprio Walter Salles, entre outros grandes diretores, rostos conhecidos como Elijah Wood, Natalie Portman, Julliete Binoche, Nick Nolte e o ótimo (mesmo) Steve Buscemi e outros nem tão famosos mas não menos interessantes como Melchior Beslon, Yolande Moreau e Paul Putner - esses dois últimos geniais no papel de dois mímicos - além, é claro, da maior estrela, a belíssima capital da França, "Paris Je T'Aime" é uma ótima idéia, executada, na maior parte do tempo, com muito lirismo e originalidade. Vale o ingresso.


Em tempo: eu quero esse pôster. Pago bem (tá, nem tanto, hum).

dimanche, juillet 15, 2007

London Calling


- Come con jamon que eso tiene un sabor horrible!

Eram de uma espanhola maluca os tais cogumelos. Havia comprado para comer com um amigo-ou-qualquer-outra-coisa egípcio mas o dito cujo acabara voltando para seu país e deixando as iguarias para trás estragando na geladeira, a espera do primeiro brasileirinho incauto disposto a compartilhar da aventura.

------------------------------------

Para o jovem, a despedida foi triste. A namorada chorou, ele chorou, foi tudo muito emocionante e bonitinho e hollywood-style.

Durou uma semana no total.

Se deu conta de que estava em uma das cidades mais fascinantes do planeta, a milhares de quilômetros de casa, como único garoto em uma sala de treze mulheres das mais diferentes origens, jeitos e sotaques e com milhares de grandes histórias-para-contar-aos-netos em potencial, tudo ao alcance de suas mãos.

E as pessoas gostavam dele e do seu jeito alegre e expansivo, contraste certo com o rosto sisudo, tímido e fechado, característico de muitas das gentes do mundo todo que frequentavam a tal escola. E as mulheres gostavam mais ainda, "fala alguma coisa em português!" e "nhooo, ele fala cantando!". A tal espanhola então, linda, muita areia para sua carroça até o dia em que, cansada da falta de atitude do rapaz, encurralou-o do lado de fora do "Gipsy Moth", pub-féla-da-pouta-que-non-vendia-cerveja-para-menores, entre eles o brasileirinho e seus dezessete anos, e tascou-lhe um beijo dos mais beijos e o levou para seu dormitório e tascou-lhe outros beijos e carícias e fez o rapaz entender que a vida é bela, ah, como é. Resolveu, portanto, após alguns dias, dividir com ele os tais cogumelos, a menina-das-astúrias. Colombianos, disse, repetindo o que lhe foi informado pelo vendedor do produto - yep, na terra da rainha essas coisas se vendiam em lojas, tudo legalizado e pagador de impostos, para espanto do jovem brasileiro, acostumado a escutar histórias dos amigos-dos-amigos-dos-amigos surrados e humilhados nas mãos de policiais por acender um baseado nas ruas das cidades de Pindorama.

Teve medo. Encarou a coisa gosmenta e pensou no maior porre de sua vida, regado a vinho e 51 com limão, assim, cru, sem sofisticação ou, como preferia definir, sem frescuras. Era um careta lá no fundo e não fumava, nunca tinha experimentado qualquer droga ilícita e era um menino exemplar, veja só, e por isso, apesar de perfeitamente dentro da lei, se sentia estranho, um contraventor, quebrando regras e morais e tudo o mais. Tal pensamento o excitava.

Enrolou em presunto, passou no molho de macarrão, imaginou uma línguiça de churrasco bem apimentada e comeu, logo após ver sua companheira fazer o mesmo. Quase fez voltar tudo no chão acarpetado e impecavelmente limpo do dormitório mas segurou para não fazer feio na frente da garota.

Um, dois, três, cinco, dez, vinte minutos e nada. Precisava ir embora e, ignorando os insistentes pedidos de "quédate aqui por hoy", saiu a procurar seu roomate para pegar o trem e partir. O tempo, caprichoso e travesso, passava de forma estranhamente lenta, elegante, fluída, como uma dama da corte desfilando pelos salões de Versalhes. Encontrou o amigo e correu para não ter de esperar pela próxima condução.

- Mira, cabron, la hora! - e, fazendo um movimento com o pescoço, apontou para o relógio da estação com o queixo, apenas para ficar perplexo e espantado ao sentir a cabeça desgrudando dos ombros e chegando pertinho dos ponteiros, vendo um a um, nos mínimos detalhes. Levantou-se, aproximou-se dos trilhos e não conseguia acreditar em como andava macio, pisando na Lua, três, quatro metros a cada passo e o amigo "no-hagas-pendejadas-wey!!!", acompanhando e cuidando para que não caísse no caminho dos vagões.

"The train now reaching platform two is the 0080 heading to Maze Hill, Westcombe Park, Charlton, Woolwich Dockyard, Woolwich Arsenal... blábláblá"

Entrou no trem e sentou-se, consciente do efeito da psilocibina em seu sistema nervoso, ansioso para chegar em casa e dormir e não ver as barras de ferro se mexendo, todos olhando e as portas abrindo e fechando com a composição em movimento, emitindo sons e conversando entre si, as portas, malditas portas tagarelas que não deixavam sua cabeça em paz. Desceu do vagão em Plumstead e tudo era diferente de como sempre fora, tudo mais colorido e vibrante e maravilhosamente em movimento! Andou e passou por dentro do bosque onde certa feita havia avistado uma raposa e procurou por ela, a tal raposa, para conversar, bater um papo, descobrir seus problemas e desilusões enquanto raposa nos subúrbios de Londres. Decerto teria muito a aprender com aquilo.

Seguiu com o amigo, fiel escudeiro, e abriu a porta de casa, caminhando sobre as pontas dos pés e fazendo um esforço hérculeo para tirar os sapatos, surrupiar uma coxa de frango, servir-se de suco e trocar de roupa para dormir, tudo ao mesmo tempo e sem fazer barulho.

Deitou a cabeça no travesseiro e não acreditou quando a porta do quarto começou a respirar, primeiro encolhendo, como que inspirando, e depois expandindo, como que engordando, expirando, e pensou em como era chata essa maldita raça das portas, faladeiras e brincalhonas mesmo nas horas mais inoportunas e pensou "que bom que não estou sozinho" lembrando de Zaphood Beeblebrox e seu ódio inumano por espécie tão inconveniente. Exausto, desejou boa noite para a maçaneta e todo os objetos-já-não-tão-inanimados do quarto e dormiu e teve sonhos fantásticos e felizes e repletos de euforia líquida e transbordante, apenas para acordar no dia seguinte como em todos os dias-seguintes, morrendo de frio, fome e saudades de casa e da menina que lhe havia feito chorar na sala de embarque.

mardi, juillet 03, 2007

08-2006 - 07-2007

Hoje termina o pior ano da minha vida.

Sempre sonhei estudar onde estudo. Estudei, estudei e aí, quando não agüentei mais, estudei ainda. Fui com sangue na boca para o vestibular, com ódio, para matar, e passei. E fiquei maravilhado, apaixonado, pelas pessoas, pelas oportunidades, viagens, novidades e principalmente pelo futuro de super-homem e nada-pode-nos-deter-darling. Estava onde milhares de jovens sonham estar, tinha os melhores amigos, a namoradinha perfeita, o futuro mais brilhante. Tudo perfeito.

Perfeito demais.

Aceito na entidade mais concorrida da faculdade, Empresa Júnior de consultoria empresarial, a mais antiga da América Latina, maior do Brasil e mamãe-quero-dominar-o-mundo, quero ser presidente. E me preparei, pesquisei, fiz contatos, alianças e os concorrentes foram desistindo e “desistidos”, todos, um por um e tornando tudo menos risível, mais claro, possível, até. E deixei de lado a namorada, a faculdade, os amigos, a coisa toda, tudo pelo objetivo, pelo futuro brilhante e pelo Plano. Tudo pelo Plano.

Perdi.
De um jeito inesperado, doloroso e que não acreditei e não queria acreditar e ter que refazer O Plano, repensar tudo de novo. E doeu mais ainda no fim quando levei um pau em duzentas mil matérias e o futuro já não parecia mais tão brilhante assim. E só Ela para me ajudar, me agüentar, me sustentar, fazer companhia no centro cirúrgico em pleno Reveillon e tentar ver os fogos por trás dos prédios de Higienópolis. Só Ela para me salvar.

E me matar depois, com estilo e olhos-de-gelo.

“Do Baú”, postado aqui mesmo há dois mas escrito há uns três, quatro anos. Clarividente.

“(...) Como assim "é só", perguntou-se Juliano? Três anos de dedicação total, viagens para lugares incríveis (as vezes sem sair do sofá, se é que vocês me entendem), declarações loucas demonstrando um amor ainda mais insano (...)”

E de repente Ela já não estava mais ali e não dava vontade de sair da cama pensar qualquer coisa comer respirar e o coração batia acelerado parecendo que ia escapar pela boca como às vésperas de um salto de pára-quedas mas sem parar nunca nunca nunca por dois três meses acordando com vontade de vomitar e se afogar junto e tendo pensamentos esquisitos vontade de sumir dar sumiço ser sumido súbito instantâneo vontade de desaparecer dois três quatro meses sem parar de doer um segundo sequer ficando maluco e reprovando matérias mil por faltas já no meio do semestre e sem querer estudar trabalhar produzir só se esconder e chorar baixinho para ninguém escutar Clark-Kent o homem-de-aço enfraquecido pedindo ajuda.

Meninos non choram, ow.

E passou. Inacreditavelmente, subitamente, passou. E fiz as malas, me mudei e vida nova e fiz verdadeiros milagres para recuperar meu desempenho na academia, milagres inúteis, todos, um por um e as noites acordado e tudo mais. “Não-tá-morto-quem-peleia” mas quem precisa de sete, oito nas provas finais da GV ou de uma ajudinha dos professores da Fundação para “abonar” faltas, AH!, este está, morto e enterrado.

E tomei outro pau. Fenomenal, no contrapé, sem chance de reação, inesperado novamente, como todas as últimas pancadas e sacudidas. E o futuro, que há muito já não parecia brilhante e sim cinza e que-porra-é-essa-que-não-vejo-nada simplesmente deixou de existir por alguns segundos desesperadores.

Mas acabou. O pior ano de todos os malditos anos acabou e me deixou aqui, pensativo e esperando.

Esperando.

Esperando.
.
.

Escutando “A-OK – Audiência”. Para lavar a alma, porra!

mardi, juin 19, 2007

!The Kids Are Right For Doing Wrong!

Morar sozinho é legal, ainda mais aqui. Dá para escutar som alto, matar a fome com os yakissobas atômicos da Paulista e só não dá para andar pelado porque prefiro evitar o previsível choque de inveja astronômica que podem causar meus admiráveis atributos físicos aos moradores dos prédios de frente para esse vidrão aí da foto, ó.

Aprendendo coisas. Lavar louça como quem troca um pneu de Fórmula 1 ("vai porra, vai logo, vai logo, porra!"), trocar tomadas, beber cerveja de segunda-feira e comprar comida. Deixei os duendes na casa de verdade, parece que tinham outros compromissos e não quiseram vir comigo, e minhas roupas não mais aparecem limpas e cheirosas no meu armário (que armário?), a comida não corre para a mesa ansiosa para ser, bem, comida, e, veja só que coisa, os dinheiros não mais aparecem milagrosamente nos lugares mais inusitados. Foram muitas desilusões para duas semanas.

Têm pombas no teto. Elas fodem, fodem muito, tenho certeza, pois há horas em que fazem um barulho constante de "vem-aqui-que-te-dou-um-chamego-bêibe" e batem no forro de metal e me fazem levantar no meio da noite com uma faca de oitenta centímetros nas mãos achando que tem alguém invadindo o lugar. Não perdem por esperar a espingarda cano-longo que logo logo estará aí - bueno, meio drástico, mas meus roomates não acreditam em venenos e naftalina. Fogo nelas.

Precisamos comprar um sofá novo. E um chuveiro e uma geladeira e um fogão e uma gaita de foles. Sempre quis ter uma gaita de foles e como um dos caras toca violino e violoncelo e mais esses instrumentos aí, nós decidimos montar a próxima banda mega-moda da cena mamãe-eu-sou-cult de São Paulo. Non perdem por esperar, mortais.

Aliás, cult é a mãe. Cercado por todos os lados - Espaço Unibanco, Cine Belas Artes, Reserva Cultural, a mega-livraria Cultura no Conjunto Nacional, o onipresente MASP, aros grossos, calças xadrez, Godard, socialismo-o-muerte. Putas da Augusta, gays da Frei Caneca, ricaços do Maksoud, os colegas futuros-donos-do-mundo da GV, a massa indiferenciável que não pára de passar e não pára nunca, toda a fauna, toda ela, desfilando e aparecendo e acendendo seus cigarros e charutos para parecerem modernos e diferentes.

Duas semanas que me mudei e duas semanas que estou completamente bem pela primeira vez desde que terminei o tal namoro com a tal garota de uns tais três anos atrás. Primeiras semanas que não ligo e não mando email e que, de verdade e sem querer parecer durão e todo o mais, consigo olhar no espelho e dizer um belo, efuviso e extasiante, "ok, then", pegar o whisky e os cubos de gelo, aumentar o som e ir cuidar das menininhas aí. Ah, as menininhas!

Vida nova, ow. Vida nova. Vida de verdade bagarái.

lundi, juin 18, 2007

Arctic Monkeys dia 28 de outubro aqui em São Paulo, no TIM Festival.

Aos amigos e familiares, por favor, não morram nas proximidades do evento. Odiaria ter de faltar no enterro de algum de vocês.

S É R I O.

jeudi, mai 31, 2007

Constantino, o Grande

Constantino era um garoto diferente. Franzino, tímido e arisco como um cão de rua, preferia a companhia de seu computador e dos livros aos jogos de futebol e festas dos amigos.

Constantino, a bem da verdade, não tinha amigos. No colégio, ficava por perto em dias de festa, passava duzentas mil vezes na frente do anfitrião e até arriscava uma aproximação de vez em quando - "me empresta um lápis?", assim, meio sem jeito - mas nunca era convidado. Bom, de certo os convites eram limitados, não dava para chamar a todos e provavelmente não ia ser legal de qualquer jeito então se conformava e voltava para casa e para o quarto e para seu personagem de milionésimo nível no joguinho de internet.

Tinha começado mal, pensava. "Que tipo de pai coloca um nome desses em um filho?", era a pergunta que atormentava o garoto. A mãe, historiadora e professora universitária, e o pai, engenheiro elétrico e funcionário de uma grande estatal, deram-lhe o nome do grande imperador romano na esperança de que seu filho tivesse também um futuro grandioso. Tinham orgulho do rapaz inteligente, dedicado e cheio de boas notas. Ok, nunca o tinham visto com uma garota e não se lembravam da última vez em que haviam recebido seus amiguinhos em casa, mas fora isso era inegável, o moleque era promissor. E Constantino correspondia às expectativas: primeiros lugares em olímpiadas de matemática, química e física, bolsas de estudo concorridíssimas, notas astronômicas, enfim, tudo que os pais tão estudados consideravam fundamental.

Até que ela apareceu.

A mulher mais linda neste quadrante do universo, pensava o rapaz. Rosto magro, de porte aristocrático, olhos e cabelos negros, estes últimos lisos até o meio das costas elegantemente arqueadas. Ela era nova, recém-chegada e diferente, não dava atenção para os babacas do time da escola e inspirava aquela paradoxal admiração invejosa que inspiram as pessoas distantes, misteriosas, nas outras garotas da escola. Virou caça imediatamente, motivo de apostas para todos os rapazes - "quem pegar primeiro ganha o bolão!"; apesar de, a princípio, achar degradante, Constantino, como de costume, passou na frente, puxou assunto, mas ninguém lhe convidou para participar - "que chance teria esse idiota?!", pensavam.

- Oi - disse Julia.

Constantino ficou em choque. Faltou ar, quebrou a ponta do lápis, engasgou com a saliva e sentiu formigar o corpo todo.

- o..o..oi - respondeu trêmulo, quase em colapso.

- Sabe o que é, tem esse trabalho aí e não tenho dupla! Posso fazer com você?

"Mentira" - pensou ele - "Já deve estar amiga deles e armando alguma mim". Os seus amigos gostavam muito de tirar sarro um do outro mas Constantino não ligava. Se era o alvo principal, de certo era porque era muito receptivo com as brincadeiras, não brigava, relevava e deixava para lá. Devia ser por isso mesmo.

- Bom, não sei...eu...é...não tenho dupla - ele nunca tinha dupla.

- Então fechado! Me passa seu MSN e telefone para eu entrar em contato!

E assim Constantino começou a falar com a garota dos seus sonhos. E passava a noite esperando a ligação ou o barulhinho indefinível do MSN anunciando a presença dela, respondia todas as suas dúvidas e não dava a mínima para o fato de estar fazendo o trabalho praticamente sozinho. Era bom naquilo e era por opção. Ela até queria ajudar mas ele fazia questão de não dar trabalho, coitada, devia ser tão ocupada e ele tinha tanta facilidade para aquilo. E passou mesmo a falar de si, a contar como às vezes tinha raiva dos garotos da escola, a tentar impressioná-la com suas performances nos jogos online e comentários perspicazes sobre as mais recentes novidades no mundo dos quadrinhos. Quase sempre ela se enchia e dava uma desculpa para retornar aos assuntos acadêmicos. Com toda razão, pensava o rapaz, afinal trabalho é trabalho e diversão é diversão. Mesmo esse princípio tão óbvio e automático em sua cabeça virava fumaça frente à voz hipnotizante da sua garota.

O trabalho foi entregue e tiraram um esperado dez. Constantino estranhou que ela não lhe falava mais pela internet - agora ele tinha sempre de dar o primeiro "oi" - mas enfim, devia estar ocupada e tanta gente online - de certo não tinha lhe visto.

Até que ele apareceu. Alto, atlético, artilheiro de milhares de campeonatos que Constantino nem sabia o nome, herdeiro de uma cadeia de lojas de departamento muito conhecida na cidade, ele era O cara. No entanto, nada disso importava. O único detalhe que o rapaz notou foi Julia, sua namorada - quer dizer, só faltava avisa-la disso mas, poxa, ele já estava quase lá - acariciando seus cabelos e lhe falando ao ouvido.

"Maldita traidora", pensava o garoto. Como ela tinha sido capaz? Como ela pôde jogar tudo o que tinham fora? Todo aquele trabalho juntos, um laço tinha sido criado, será que ela não entendia?

E corroía. Doía, queimava, fazia o coração disparar de ansiedade e piorava a cada dia.

Não podia entender como aquela garota inteligente, linda e tão doce aguentava a companhia de um idiota cujo livro favorito era algo tipo "O segredo de Michelangelo", "O mistério Fibonacci" ou qualquer outra variação do tema conspiração-idiota-igreja-texto-pobre. Um idiota que só sabia falar de suas viagens ao exterior, suas baladas cheias de mini-putas prontas para se jogar em seus braços e de como iria chamar todo mundo para fazer a festa naquela sua casa em um condomínio exclusivo do litoral norte. Um idiota que falava igual com todas as meninas - "oi, linda, tudo bem?" - e fazia o papel de garoto sensível e gentil mas que no fundo era só mais um querendo vencer o bolão e comê-la para filmar e mostrar para todo mundo.

Constantino se trancou em casa. Inocência pura acreditar que Julia escolheria ele para qualquer coisa que não tirar notas para ela ou coisa do tipo. Como pôde ser tão idiota, pensava sem parar, mas não conseguia tirá-la da cabeça.

E de noite ele ligava o computador mas não mais esperava sua garota ficar on. Preferia seu personagem de nível máximo e o mundo virtual do jogo do momento. Ali ele era alguém. Ali ele era rei, o atleta, o capitão do time, artilheiro e tinha quantas Julias quisesse ter. Ali ELE era o cara.

E algumas vezes se trancava no quarto por grandes períodos e, jurava Dona Nadir, a empregada da casa, deixava escapar um som de choro baixinho, soluçante, abafado. Loucura dela, pensava a mãe de Constantino - as notas do garoto nunca tinham sido tão altas, sua concentração no trabalho nunca tinha sido tão forte, mesmo para os já astronômicos padrões da casa. Devia estar tudo bem

Tudo sempre ficava bem.

mercredi, mai 30, 2007

Miopia

Discussão sobre autonomia universitária. Concordaram, concordaram, concordaram, até que discordaram.

Ele defendendo uma espécie de financiamento para estudantes das unversidades públicas que cobrisse moradia, alimentação e transporte para ser reembolsado um ano após o fim do curso e sem juros nenhum, só correção monetária. Criaria senso de responsabilidade em muito estudante que fica lá por seis, sete anos segurando vaga dos outros - nada como mexer no bolso para fazer o sujeito se dedicar de verdade - além de ser completamente justo e sem juros nenhum, renegociável em caso de impossibilidade de pagar

Ela o taxando de louco, que não tem emprego, que ninguém iria conseguir pagar (esquecendo-se da possibilidade de renegociação), ó-vida-ó-céus-ó-azar.

Ele batendo na tecla de que não adianta nada ser utópico se não tem base material para sustentar o sistema, um modelo de financiamento que torne o sistema auto-sustentável e ela batendo na tecla da falta de emprego e impossibilidade de se pagar um tal financiamento.

Eis que o assunto cai em mobilidade social. Certa feita, há algum tempo, Ele leu uma reportagem que falava que o Brasil é o país de maior mobilidade social do mundo, por incrível que pareça. Ela disse que não. Ele mostrou dados do IBGE, pesquisas de estatísticos e até um artigo de um professor da às vezes tão enviesada FFLCH-USP confirmando a hipótese. Ela disse que não. Ele mostrou matematicamente que sim, mas Ela ainda disse que não.

Ela aluna de letras de uma universidade pública do estado de São Paulo e ele aluno de uma escola de administração de empresas das mais renomadas.

- Mas como assim, tá tudo aqui, por A mais B! - ele indaga, perplexo.
- Ah, mas tá errado. - ela responde baseada em...

...nada.

É a doutrinação pseudo-esquerdista das nossas universidades públicas fazendo efeito. Frente a provas matemáticas, dados estatísticos, a realidade inegável, se fecha os olhos. Propagam-se mitos como esses de que não há mobilidade social no Brasil por pura opção política. Quem tenta ser racional vira vítima da retórica mamãe-eu-sou-revolucionário - "fecha universidade para pobre então!", "mas você é um branco classe-média" (como se isso invalidasse qualquer posição dele sobre os problemas do país...), "mas onde eu moro é muito mais foda do que onde você mora, tem tipo gremlins na rua e chove fogo do céu" (como se isso desse alguma espécie de "autoridade", "chancela" para o argumento). Quem tenta pensar os problemas do país e buscar soluções de verdade, viáveis e longe das utopias irrealizáveis é taxado de conservador, reacionário e alienado. Agnóstico, laico, a favor do aborto e do casamento gay mas mesmo assim, de algum jeito estranho que Ele se esforça para entender, conservador, reacionário e alienado...

Ela fica brava. Ele fica sem graça - "porra, mas eu não falei nada!". Ela fica irônica. Ele fica sem saber o que fazer. É difícil argumentar contra a negação da realidade óbvia, clara. É difícil discutir quando qualquer princípio de racionalidade é jogado fora apenas para a sustentação de uma posição político-ideológica.

Ele quer é que se foda.

"É, Brasil, boa sorte para ti, meu amigo. Você vai precisar mais do que eu..." - Ele pensa e vai dormir.

lundi, mai 28, 2007

Moderno? Yo? Nononononoooon!

É, eu não tenho tatuagem, cabelo na cara e cara de mau. Não tenho (mais) uma banda. Não falo palavrão de bobeira, estudo Administração e só números, estratégias, análises e tum tum, nada de modernices estilosas. Não sou vegetariano também. Não tenho (mais) piercing, não sou de esquerda, não sou anti-americano, minha banda favorita é inglesa e moderninha mas a segunda a terceira e a milésima não são, não mesmo. Não vou sempre aos mesmos lugares nem conheço a galera "da cena" e não quero conhecer. De vez em quando crio algo legal mas no geral não sei escrever bem, sai um monte de clichês e, na maioria das vezes, acabo olhando depois de um tempo e "táquipariu, que bosta isso aí!". Gosto de História, Economia e Política, e não de Jornalismo, Design ou Moda. Minhas camisetas são normais, minhas calças não tem canela ajustada e meu all-star é preto-e-branco-sem-frescura. Não sei tocar guitarra, não sou glam, tentei escutar mas continuo achando Klaxons uma bela duma merda. Não tenho nada contra e cada um faz o que quer mas, quanto a mim, corintiano, zona-lestino e calabrês que sou, não acho moderno e estiloso beijar meus amigos homens - acho viadagem e só. Não moro sozinho (ainda), não coordeno nenhum clube de cinema, confraria de vinhos ou fanzine e não tenho uma namorada tatuada e de cabelinhos curtos cortados à altura do ombro. Bem, eu nem tenho (mais) namorada. Nunca soube andar de skate e desaprendi tudo o que sabia sobre jogar futebol. Aliás, eu gosto de futebol e, para a pseudo-intelectualidade adolescente poser-indie-rocker, peguem no meu "ópio-das-massas" para ver como é gostoso. Gosto de filmes europeus e independentes mas também gosto de ver Balboa destruindo Ivan Drago sob um improvável coro de "Rocky-Rocky-Rocky". Não gosto de filmes iranianos nem indianos, nem tente. Leio, muito, pra caralho, mas nunca li Dostoievsky, James Joyce ou Cervantes (ainda, ainda e ainda) e, basicamente, quero é que se foda. Nietzsche é legal. Só. Não tenho problemas com meus pais nem com meus irmãos nem com ninguém, não sou um garoto problema, mamãe-não-sou-rebelde, nunca fugi de casa e só saio daqui com 23, 24, de apartamento comprado e dinheiro para gastar nos meus livros, discos, viagens e essas merdas todas. Já quis ser cientista, engenheiro, médico e caí na GV aprendendo finanças, marketing, rh e como ganhar dinheiro bagarái porque fico bem de terno. Não uso óculos e se usasse não teriam aros pretos e grosso. Eu não tenho fotolog e, pelamordedeus, se tivesse não tiraria fotos fazendo bico ou com o cabelo entrando nos olhos e afins.

Poderia continuar on and on and on, ad infinitum, mas, de forma bem resumida, "moderninho" de cú é rola, rá.

samedi, mai 26, 2007

Compra-se um míssil nuclear, cafés e bolinhos.

Quero ver o boom ao som de Edith Piaf, degustando um expresso para aplacar o frio e comendo só o recheio de baunilha das comidas, com toda pose-fake e tudo mais.

Revolta pura pura pura e tum, rá.

lundi, avril 30, 2007

Omaha Beach

Enjôo. Desde pequeno o mar me dá enjôo. Pescava com meu pai mar adentro - o velho sempre gostou dessas coisas de paizão - e quase todas as vezes estragava o passeio com vômitos e dores de cabeça e desorientação. Bem, melhor do que esse cagão aqui do lado que não para de reclamar dizendo que não sabe nadar e tum. Como se esse fosse o maior de seus problemas.

Maldita hora em que fui atender o tal "chamado da América" e aquele velho Sam apontando o dedo e dizendo que precisava de mim. Poderia estar eu, Mary Jane e as florestas cheias de ursos daquela porra gelada que chamam de Washington, todos tranquilos, gastando nosso tempo decidindo o que preparar para o jantar. Malditos japoneses, malditos alemães, malditos filhos da puta que não entendem o valor de uma bela mulher, bons amigos, uma cervejinha no final da tarde ou até dos tais ursos ou raposas ou sei-lá-que-bichos-tem-nos-países-deles.

Todos os garotos da cidade capazes de portar uma arma - e não são poucos em um lugar onde caçar alces e beber seu sangue é um ritual de passagem praticamente obrigatório - se alistaram. Todos alegres, sedentos de guerra, glória, honra e todas essas coisas que nos fazem acreditar em livrinhos baratos de história. Não falam do frio, da fome, das dores no corpo, morte iminente, aço quente derretendo a carne e furando o estômago e esparramando as víceras no chão de areia - "caramba, tá entrando terra, vai infeccionar", mas esquece, cara, que teu intestino já está para fora e o coração preso por uma tripa de gordura prestes a escapar também.

Já dá para ver os bunkers germânicos no topo das colinas ao final da praia. E cheios de garotos de 18, 19 anos, sem dúvida, que não sabem o que estão fazendo ali e tomando banho de chuva, mas não a chuva molhada e fria e encantadoramente congelante que costuma cair nas praias da Normandia em dias frios como hoje e sim a chuva de ferro e fogo californiano, "and we're dyyyyyyying in the rain!"! E destróieres, bombardeiros, toda a força da indústria do Novo Mundo para ajudar a salvar essa terra cansada de guerra. Por mim, que todos se fodessem. São milhares de anos matando uns aos outros e não somos nós que vamos resolver esse problema de uma hora para a outra com hambúrgueres, sorvetes de carrinho e um monte de bombas e explosivos "courtesy-of-uncle-sam".

Balança mais. Marolas, espuma, ondas quebrando e cabeça baixa para não levar tiro no capacete que, no fim das contas, só serve para fazer peso já que nada resiste a um tiro de .50 bem colocado.

Um baque.

A porta se abre e todos correm como animais e a areia explode a toda volta, arame farpado e pow, um caipira do Arkansas explode bem do meu lado e sangue, sangue, sangue e corre, corre, corre, e o cara da cruzinha vermelha no braço chega para ajudar e pow de novo, ele explode também. E nossos aviões ou deles ou de quem quer que sejam cruzam os céus e fazem chover dor e aço temperado, destruindo pedra, redesenhando a geografia da praia e assando carne humana como gansos no espeto e corre, corre, corre - farda pesada, molhada, arma pesada, molhada também e atira, atira, atira e o pulmão explodindo, engolindo todo o ar, fuligem e poeira possível, e relaxa darling que é só o começo. Durões, esses alemães, "furor teutonica" e invasões bárbaras e imagino todos os outros tipo de mitos e propaganda que jogaram na cabeça desses moleques para convencer-lhes a lutar contra o mundo todo ao invés de ficarem em casa cuidando de suas lindas mulheres alemãs e de seus filhos de dentes podres comedores de salsicha.

Abaixa e bum, logo ao lado.

piiiiiiiiiiiii e é tudo que eu escuto. E alguém tenta me dizer alguma coisa - alguém que, no turbilhão de imagens e sons e gritos de manhêêêêê não dá para saber se é tenente, sargento, algum recruta tão desesperado quanto eu ou a alma de algum dos infelizes despedaçados na primeira investida - e não dá para escutar nada, só sentir as vibrações e a própria terra pulsando de dor. Faz um movimento com a mão como me chamando e vamos e vamos e vamos e corre em direção à colina e aos bunkers e me pergunto que tipo de droga ele usou que eu quero também! E passam os arames farpados e o fogo diminui e "meu deus, cadê os malditos paraquedistas para pegá-los pelas costas e salvar as nossas vidas?!".

E hora depois de hora ondas e ondas de sangue novo tingem as areias de Omaha e hora depois de hora mais sangue novo desembarca e corre, corre, corre! Corre no meio da fumaça, bendita fumaça que não deixa as MG42 germânicas sacrificarem mais vidas desses idiotas como eu e corre, corre, corre e o fogo diminui mais e mais.

Sobe a colina e explode porta e olha nos olhos azuis cor de gelo e pânico e sem chance de defesa e tum, no meio da cara, entre os olhos.

Sabe, matar é relativamente fácil. Matar um alce, um urso, qualquer coisa assim, é apertar o gatilho e a munição faz o resto. Claro que pontaria ajuda e tudo o mais mas qualquer idiota com uma Winchester na mão é capaz de abater a maioria dos animais selvagens. O problema é abater um animal civilizado, falante, com história, filhos, mulher, casa de férias no mar do Norte ou emprego de auxiliar de contabilidade, comedor de joelho de porco e olhos azuis de gelo e pânico. Nunca tinha matado um homem mas não doeu. Acho que é disso que falam nas tais historinhas, sede de guerra, esse lado animal que aflora quando em grupo, quando provocado por artificialidades como patriotismo, justiça, liberdade e outros conceitos completamente abstratos mas que em horas assim parecem de uma inacreditável e enganosa objetividade.

E danem-se as florestas do Noroeste e os ursos e também a Mary Jane. Danem-se os sorvetes - nunca faz mais de dez graus naquela terra congelada mesmo - os hambúrgueres e os alces e seu sangue horrível e nauseante que nossos pais nos fazem beber.

"furor americana", baby. Foda-se a razão e vamos a Berlim comer chucrute e beber cerveja e chutar uns traseiros comunistas quando chegarmos por lá.

É guerra aqui fora e dentro de mim e um soldado é tudo o que resta para mostrar.

mardi, avril 24, 2007

Você acha que sabe o que é talento? ISSO é que é talento.

Fleur de Saison, por Emilie Simon.

E agora deixa eu voltar para os róquezinhos de sempre e os livrinhos de francês senão essa guria acaba me matando.

Sublime.

mardi, avril 03, 2007

Nota mental

Nota mental: trancar matrícula da GV, mandar every single pseudo-amigo ou familiar ou ex-namoradas ou pessoas em geral tomarem nos seus respectivos cús e ir para Buenos Aires, Barcelona ou Londres lavar pratos, escutar música, ficar completamente sozinho e viver um pouco.

Saco cheio.

samedi, mars 24, 2007

"Ei, guria, será que eu fiz alguma coisa errada e não fiquei sabendo?"

samedi, mars 17, 2007

A humanidade e sua enorme dificuldade em dizer não - rá!

Luz baixa, rua vazia, neblina a là Camdem Town por volta da meia noite. Viro a esquina e esbarro, como sempre nessa hora e nesse local, com a humanidade e sua enorme dificuldade em dizer não. Prefere ficar quieta, fingir que está tudo certo, que é falha de comunicação, mal-entendido ou um simples blecaute eu-liguei-pra-Eletropaulo-e-a-energia-já-vai-voltar, mas não consegue dizer um simples não, a danada da humanidade. Prefere ficar quieta a ser verdadeira, tem medo de perder o amigo, a namorada, o amante, a patroa. Foda essa tal de humanidade, hell.on.high.heels, cabelos pegando fogo, incendiando a porra toda, temendo dizer que não gosta, que não quer e vai-já-para-a-sua-cama-menino-senão-entra-no-chinelo. E ela usa hífens demais e esmalte vermelho descascando e olha na sua cara e, gentileza-mor, cínica como sempre, não diz que não, só que está tudo certo e que o mundo vai continuar girando porque se parar todo mundo vai para o espaço porque ninguém usa cinto de segurança. E as pessoas vão desaparecendo e se transformando e eu caminhando no meio dessa neblina e o tal do salto quinze me olhando. hell.on.high.heels e me fita e tum tá tum tá, dança e dança e rodopia.

Dá medo, pensando bem. Corro.

Frustrante.

jeudi, mars 08, 2007

Consumação

- Ei, fica sossegado que hoje a garrafa está cheia!

A gente percebe que está bebendo demais quando o barman que imaginávamos não ter a mínima idéia de quem fossemos solta uma frase dessas no instante em que nos vê. Dou um sorriso sem graça, pego meu copo e vou em direção à mesa. Cachaça, pura, sem aditivo nenhum, para desinfetar a alma. Seguro o drinque horas e minutos e séculos inteiros - dá náuseas só de pensar, perdi a prática - enquanto ela bebe tudo em um gole só com uma classe de explodir o universo. Coloca o copo na mesa e desliza seus dedos esguios pelo meu braço:

- Adorei o lugar - diz.

E ainda é gentil, a filha da puta - "adorei o lugar". Eu mesmo sei que esse buraco é o maior clichê mamãe-eu-sou-moderno da cidade e Ela também tem consciência disso mas finge que não. Além disso, aguenta mais bebida que eu, escreve mais que eu e tem um gosto musical melhor que o meu. Considerando tudo isso, é bem provável que ganhe de mim também em uma luta justa e sem luvas.

Cabelos curtos e negros cortados no nível do queixo, pele branca, óculos classudos que caem muito bem no rosto fino e de traços delicados. Tatuagem, claro, a maldita tatuagem - um anjo ajoelhado, com as asas compridas e esguias, parcialmente abertas e cobrindo toda as costas, da altura do pescoço até o final da coluna. Meio depressiva mas linda, mais linda ainda nas costas ela.

E olha que eu não sou o tipo de pessoa que se apaixona fácil. eu.consumo.pessoas e fico com remorso mas passa rápido. Dificilmente me apego, fico com pieguices ou prometendo o mundo para qualquer garota. The great fucking problem é que Ela não é qualquer garota.

- Sabia que você iria gostar - respondo, fingindo crer em sua expressão de entusiasmo.

Tomo coragem e engulo meu destilado - engulo, essa é a palavra, sem pensar, de olhos fechados e torcendo para não colocar para fora. queima.queima.queima e segura ele aí e não deixa sair estômago-filho-da-puta. Levanto, coloco minha melhor expressão de confiança e poder no rosto e a puxo para dançar róque.

Nunca fui um grande dançarino. Certa vez tentei inventar e caí no meio de um monte de gente com uma guria em meus braços e todo mundo deve ter pensado "puta, que idiota! querendo aparecer, o menino" e fiquei com vergonha porque há muito tempo cheguei à conclusão que esse mantra de independência "não-tô-nem-aí-para-o-que-os-outros-pensam" é a maior auto-enganação já inventada desde que a espécie humana surgiu nesse planeta. Também quis aprender tango com uma ex-namorada - coisas de namorados, entender de vinhos, fazer fotografia e essas viadagens não-cabíveis a um corintiano, zona-lestino e calabrês que sou. Ganhei apenas dores nas costas e uma namorada cheia de calos nos pés graças aos meus pisões.

"The shareef don't like it! Rockin' the casbah, rock the casbah!"

E ela canta junto e anima e me puxa, roda e sorri. Filha da puta, ela sorri. (não.vou.me.apaixonar.não.vou.me.apaixonar) Escorrego e esbarro nas pessoas ao redor mas vou levando, rodopiando e cantando junto e tentando coordeanr tudo da melhor maneira possível. De qualquer maneira possível.

- Sabe, adoro sair com você. - digo, e ela sorri de novo.

Idiota. Sempre fui péssimo com approaches e a vontade de agarrá-la e cortar todas essas formalidades, pular o ritual, é grande demais para me fazer pensar em uma frase melhor. Adoro brincar com frases. escrevo.assim.tudo.minúsculo, uso-hífens, manipulo a coisa toda com razoável desenvoltura em uma folha branca e sem ninguém olhando. O problema está na hora de falar. Engasgo, o cú vem na boca e o medo de ser julgado – será que vou parecer um trouxa? – me faz entalar as letrinhas no meio da garganta e não há nada que as faça sair de lá de forma suave e harmoniosa.

A pista esvaziando, pessoas indo embora cuidar de suas próprias angústias e encanações, voltar à rotina de ansiedade e medo até o próximo final de semana de ópio e enganação e nós aqui. Sento num sofá velho encostado no canto da pista escura e já quase vazia e Ela me acompanha. E me olha nos olhos e congelamento e internal error. Respira um dois respira um dois.

- Garota... sei lá como te dizer, você é tão... – e Ela me cala com as pontas dos dedos médio e indicador, olhar fulminante e me beija.

Respira um dois respira um dois – cadê a porra do oxigênio desse lugar? – e eu morro um pouco. Só queria consumir outra pessoa e curar umas feridas, mas acho que errei na dose. Ela se levanta e me puxa e vamos-embora-bêibe-que-quero-te-comer mas não só isso. Abaixo a cabeça para não meter a testa no desnível do teto próximo à porta e Ela vem logo atrás martelando meu coração prestes a me mandar tomar no cú pelo esforço ao qual ando lhe submetendo (o coração, claro).

Abre porta, fecha porta, põe a chave e vrumvrumvrum – sai da frente desgraçado! – e vrumvrumvrum e pára. Abre porta, fecha porta, tranca porta.

- Não quer subir?

Não, não quero. Não posso querer e é para o seu bem, acredite. Sou possessivo, me entedio facilmente e daqui a três meses já estarei olhando para outras garotas e te achando sem graça, igual a todas elas. Ou não. O fato é que você me dá um puta medo, tipo um zumbi comedor de cérebros que te faz cagar nas calças quando você tem dez anos e vê o filme de terror escondido com os amigos porque sua mãe não deixa. Tenho medo de te consumir e depois querer mais e no way, consumação is over e vai-procurar-sua-turma-garoto.

Mas essa noite eu te amo, guria. E quero é que se foda se depois eu te ligar e você inventar desculpas para não me ver e se não mandar email, telegrama ou pombo-correio, quero é que se foda. Esta noite eu te amo e vou-te-comer-como-nunca-comi-ninguém, garota, e vou te amar mesmo, assim, cru, com vontade de te embrulhar e engolir e metabolizar e fazer parte de mim. Quero é que se foda se você me esquecer depois e eu ficar puto e perceber que me apaixonei sem querer.

Essa noite você é minha e de mais ninguém.

-------------------------------------------------------------------------

Escutando "TV On The Radio - Wolf Like Me"

vendredi, mars 02, 2007

all-in e merda, fullhouse de ases e eu achando que tinha a mão do jogo. blefei, acreditei nas pessoas erradas e em promessas de "gonna-rock-and-roll-all-night" e tum, heart.attack, perdi. Tudo.

Arruinei minha vida. A sorte é que eu ainda tenho uns 50 anos e (ainda) alguns bons amigos para ajudar a reconstruí-la.

Porra.

mercredi, février 21, 2007

rock.and.roll.carnival

Fazia tempo que eu não tinha um carnaval legal. Os últimos se resumiram a filminho no sofá e colinho da (ex)-namorada, o que é particularmente frustrante quando você tem dezenove anos, um carro e muitas, muitas opções de festas e lugares legais e coisas diferentes para fazer - ainda acho que algumas mulheres deveriam vir com tarja vermelha, tipo "cuidado, perigo de lavagem cerebral".

Bebi e saí com uns amigos e bebi de novo, exatamente nesta ordem. Fiquei duas horas conversando com a garota da chapelaria de uma balada qualquer, dancei (!) um páptchuba com ela e, por incrível que pareça, parei por aí. Evolução, bêibe, ou somente timidez e falta de jeito e coisas do tipo.

Também sambei, joguei cerveja no chão, revi gente que não via há tempos e me diverti. Dancei "rock the casbah" rodopiando com a garota mais estranha da cidade (updated 13-04-07 , rá) e caí no chão no meio de todo mundo e me levantei e não fiquei com vergonha - o que é quite an improvement para um cara como eu. Tive ressacas brutais e outras mais gentis com minha cabeça, músculos e sistema digestivo. Perdi uma blusa, um mp3 player, alguns bilhões de neurônios e um monte de inibições e inseguranças nos botecos, clubes, quartos, bancos de carro e garrafas de destilados por aí.

E estou vivo. Vivo bagarái, eu diria, para o bem e para o mal. Exausto, com uns meses a menos de vida e ainda cheio de dúvidas, mas respirando.

"the shareef don't like it! rockin' the casbah, rock the casbah..."

mercredi, février 07, 2007

Linda, a dor não é tão glamourosa assim afinal

Dor, dor maior que uma sequência de socos no meio dos dentes, mas cicatriza. De vez em quando se teima em cutucar, arranhar a casca e fazer sangrar - faz parte da pose de poeta auto-destrutivo - mas passa. Passa porque não tem escolha, não tem alternativa, não tem botão vermelho e nem ejeção. E aí vem a raiva, a vontade de ver sofrer, de arrancar o coração com uma colher e comer com muito molho inglês*, do jeitinho que aconteceu comigo. O ódio do caos repentino, da mudança de rota, da bagunça na rotina babaca e pré-definida mas tão confortável. E apesar da força furiosa e quase incontrolável, o ódio também passa. Não dá para odiar algo que não existe, algo a que se é indiferente, já que depois vem a indiferença, a obliteração de qualquer pedaço de pieguice, hábito e ilusão e aí resta nada, só farelos para as moscas, as mesmas malditas moscas rodeando a merda da vez.

*Valeu, Amigo (com A capital, maiúsculo).

mercredi, janvier 31, 2007

Sinceramente eu não tenho o costume de postar textos alheios por aqui, mas esse tem que entrar

Clarah Averbuck - Exército de uma eu só

Então que venham os batalhões, se é a mim que eles querem. Que venham os demônios alados, as cobras e os escorpiões, e atinjam meu corpo, nada mais é que um monte de carne. Venham e verão que eu sempre vou vencer, pois a minha essência continua a mesma, continua pura e continua minha. Então que venham todos os seres saídos do Umbral, eu os desafio. E que venham esses bípedes que clamam Deus. Que me crucifiquem e me condenem, que gritem e atirem pedras, que me queimem e me dissolvam. Que morram afogados na própria ira e no próprio karma. Que explodam na sua inveja, se corroam nas suas futilidades, se enterrem na sua ganância. Que venham mil deles armados até os dentes. Que venha o Diabo me olhar nos olhos. Está escrito: eu venci.

mercredi, janvier 24, 2007

Estou afim de fazer uma revista virtual sobre a “cena” (odeio essa palavra, mas só para facilitar a comunicação...) alternativa em São Paulo, mais voltado para a parte rocker da coisa. É, puta clichê moderninho e coisa e tal, mas acho que ia ser interessante para dar uma variada na minha formação enquanto corintiano, zona-lestino e calabrês. Aliás, nem sei porque estou me explicando.

Acontece que para fazer tal revista eu preciso de gente. Gente que escreva bem, gente que faça boas reportagens, gente que saiba criar um layout bonito e atraente para o projeto, gente que tenha uma câmera e vontade de usá-la. Preciso, enfim, de gente talentosa. Se você acha que pode ajudar, por favor, me mande um e-mail. Vai ser legal e vai ter reunião de pauta com cerveja e amendoim (ou outro tira-gosto de vossa preferência) todo primeiro final de semana do mês, para discussão dos rumos da coisa.

Ao som de: “Nena Kerner – 99 Luftballons”. Ultra-eighties, rá.

and.i.feel.fine

Não telefono.

Não telefono não por orgulho ou por qualquer coisa do tipo. Não telefono porque quero esquecer. Quero não querer, quero ficar sozinho, quero ser livre mais uma vez, daí penso que se não telefonar talvez pare de sentir, pare de querer te agarrar e arrastar para minha casa e te amar em alto e bom som. Não ligo para parar de fingir que não me importo e passar a não me importar de verdade.

Droga, três anos inteiros para perceber que não, nós não nascemos um para o outro e vai ver essa merda nem existe. Três anos. Brigando horas e dias e meses e milênios inteiros por coisinhas idiotas e insignificantes que juntas formaram esse abismo gigantesco e filhadaputamente intransponível que há entre nós dois. Frustrado por não poder viver a minha vida do jeito que quero porque você não gosta, acha feio, tem nojo, enquanto sou obrigado a me consumir em uma vida idiota, sem sal, sem arder, vivendo os mesmos programinhas massificantes e estafantes dia após dia. Constrangedor é, no auge da vida, te pedir permissão para ir e vir, como se fosse a maior contravenção do mundo.

Não telefono mesmo. Me ache um otário, me despreze, me diga que sou um ultrapassado, antiquado e me esnobe, caro leitor, mas não telefono.

Porque para mim o mundo não acabou. Para mim, o mundo está apenas começando.